
O fim da Oficina Irritada
Depois de sete anos (?) percebi que este blog já deu o que tinha que dar. A Oficina Irritada já morreu faz um tempo e havia esquecido de deitar. Não é de hoje que tenho estado desanimada para escrever e só agora entendi a razão. O blog desandou já faz um tempo quando eu fui deixando de ser a pessoa que era quando comecei a escreve-lo. Eu não tenho muita certeza de quem sou agora, mas eu sei que não sou mais a pessoa que era antes, que era perfeitamente representada pela figura da taça de vinho, maço de cigarros e um revólver. Boemia, álcool,cigarros e fúria. Eu não sou mais assim. Sou cada cada vez mais diurna, cada vez mais caseira, cada vez menos todas as coisas que fizeram a identidade deste blog. E cada vez menos ranzinza e triste também e por mais que eu me recuse a acreditar que são os sentimentos ruins que produzem bons textos, não posso negar que a inspiração deste blog era alimentada por mágoa, cinismo e rancor. Tentar manter este espírito me parece falso e eu não sei se quero. Ultimamente eu vinha tendo a sensação que eu tinha ao escrever estes textos pretensamente rabugentos era a que estava sendo cover de mim mesma. Foi aí que eu percebi que tinha acabado.
A verdade é que eu cansei. Cansei do drama, cansei do triste espetáculo da exposição das minhas entranhas, cansei das polêmicas. Quero fazer outra coisa, mas ainda não tenho certeza do que. O que sei é que é preciso saber sair de cena enquanto ainda nos resta alguma dignidade e não ficar prolongando a vida além dos limites da própria vida. Tive ótimos momentos com este blog e sou imensamente grata a todos que tiveram paciência para voltar a esta página durante todos esses anos. Sentirei falta de entrar para ver se há comentários, até mesmo dos mais chatos. Mas as coisas têm sua duração e este blog já era.
A você, leitor, meus mais sinceros agradecimentos pela leitura e pelos comentários. Foi bom enquanto durou. Tenha uma boa vida.
Adeus.
CANTINHO TERRORISTA: The end is not near, is here.
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18h06
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Preguicite aguda
Tempo frio me dá muita preguiça. Sendo uma pessoa naturalmente preguiçosa, no frio isso vai ao limite. A única coisa que dá vontade de fazer é dormir e ver televisão. Meu gatinho Zaratustra me acompanha nesta tarefa. Ele acordade de vez em quando, enche meus móveis de marcas de patinhas, me morde e arranha um pouco, usa a caixinha de areia, come e volta a dormir. Somos bons parceiros nesta extenuante tarefa de não fazer nada. Acreditem, dá trabalho passar o dia vadiando, especialmente quando você não tem dinheiro pra pedir comida por telefone. Falando em comida, hoje eu vi o programa da tal Nigella. Nunca tinha visto e não aguentei 10 minutos. Ô mulherzinha insuportável, meu deus! Uma espécie de Ana Maria Braga pedante e toda lânguida. Podre, podre.
Que sono! Eu tenho uma dissertação pra escrever, alguns livros pra fichar, uma casa pra limpar e estou com muita vontade de experimentar uma receita nova. Mas só de pensar no trabalho que tudo isso vai dar eu já me sinto cansada e desisto. Fico sentada no sofá vendo tevê e funçando na internet. A pior e melhor coisa que existe para uma pessoa preguiçosa que trabalha em casa é o laptop. O tempo está correndo. Julho já está aí e eu devo ter só umas 12 páginas escritas. Falta 10 meses pra expirar o meu prazo e eu ainda nem qualifiquei. Ou seja, eu estou com a corda no pescoço. E por incrível que pareça ainda não consegui me desesperar. Estou com preguiça!
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18h19
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Cada dia ando menos inspirada para escrever para este blog. Tenho estado muito ocupada ultimamente e sempre que calha de eu ter alguma idéia legal estou longe do computador. Mas tem um lado que é porque eu ando enjoada mesmo, acho que meus textos já não mais lá essas coisas e a audiência persistente de comentártios cretinos é algo que me aborrece, ainda mais porque são comentários anônimos e eu detesto gente que não tem cara de assumir suas críticas. E eu não vou dizer que não ligo a mínima pro que as pessoas pensam, porque seria mentira e honestamente eu acho que quem diz que não liga nadinha para que os outros pensam, ou mente ou é um psicopata. Eu ligo pro que as pessoas pensam, claro. Passei a vida me chateando por causa disso e vou continuar provavelmente. Não é o tipo de coisa que governa a minha vida, mas aborrece um pouquinho.
As vezes penso em começar tudo de novo, num novo endereço, talvez com pseudônimo. Ah, mas isso me parece tão bobo e me daria tanto trabalho... Ou simplesmente fazer um blog paralelo, pra contar histórias malucas que aconteceram mesmo, mas que não são pra todos. Mas isso parece coisa de gente paranóica, eu acho que o que tiver de escrever num blog que seja neste aqui e pronto. E que venham os chatos, não serão os primeiros nem os últimos a me azucrinar, porque eles vêm e passam enquanto eu fico, de um jeito meio perdido, mas fico.
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18h53
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Resmungos refriados
Gripe de mais de duas semanas e eu aqui há uma semana sem cair na piscina... O dia rende muito quando se acorda cedo, não sei como as pessoas conseguem. Eu nem acordo tão cedo assim, mas é bem mais cedo que eu costumava me levantar. Ultimamente tenho acordado por volta das 9h30, o que convenhamos é um horário bem razoável. O que me deixa louca da vida é que ainda tem gente que tem a cara de ligar domingo antes das 10h porque acha que todo mundo tem que estar acordado. E tem também os que ligam durante a semana mesmo e dizem "Acordou agora? Que vida boa". Acho acintoso alguém manifestar suas opiniões sobre o horário que uma pessoa acorda, assim como acho péssima as pessoas irem à sua casa e dizerem o que elas acham que você deve fazer. Pensando bem, eu acho que ninguém deveria dizer nada nunca a ninguém que não fosse conversa geral, do tipo "viu a novela ontem?", "vamos ao cinema sábado", "tens visto Fulano" ou o bom e velho "como você está, como vai a família". Não me faça recomendações, não me diga o que você acha do meu estilo de vida. Não estou interessada, se eu estivesse interessada perguntaria.
Se tem uma coisa boa do capitalismo é a vida extremamente individualizada e disso eu sou totalmente a favor. Tomemos como exemplo o meu esporte preferido, a natação. Não sei se é tanto pela ótima sensação que tenho ao nadar ou se é por ser uma atividade individual que eu gosto tanto. Nadando eu não sou obrigada a usar um tênis da moda e nem a aturar os olhares de reprovação porque eu não tenho o tênis ou o corpo da moda. E não tenho que ouvir conversinhas de academia, eu não tenho que ouvir nada e nem olhar pra ninguém. Somos só eu, a água e os azulejos da piscina. Pra ser perfeito só faltava ser a piscina inteira só minha. Porque se nadar é maravilhoso, não tem nada tão eficiente pra estragar este prazer que outra pessoa na mesma raia que você. Outra coisa chata é o vestiário, porque eu não sei quanto a você, leitor, mas pra mim é extremamente desagradável ter que tomar banho com meninas de 15 e senhoras de 60. Porque se não bastasse eu ser obrigada a ver toda essa gente estranha nua e ficar nua diante delas, eu ainda sou obrigada a ouvir as conversinhas que vão de planejamento de festas de debutantes ao plano de internet que o filho da dona sicrana colocou na casa dela.
CANTINHO TERRORISTA: Gripe me deixa muito mal-humorada.
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17h49
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Travando e andando
Depois que você passa quatro anos estudando um assunto, especialização e mestrado, chega a hora de um dia produzir uma dissertação. O problema é que eu tenho que explicar coisas que eu já sei pra pessoas que também já o sabem, a banca. Isso me dá uma sensação de estar tentando ensinar o Pai-Nosso ao vigário. No meu antigo trabalho eu simplesmente escreveria algo como "Destino Manifesto" no meio da frase e pronto, faria de conta que o leitor sabe o que é isso e se não sabe problema dele, que procure no Google se quiser. Na academia é diferente, as coisas têm que ser bem explicadinhas, com citação da fonte, ano de publicaçãoe página. Nessas horas eu até sinto falta do meu antigo trabalho. Só que no meu antigo trabalho eu não escrevia com um gatinho dormindo no meu colo. E se tem coisa mais bonita que ver um gato dormindo é ver o gato dormir no seu colo. Acho que vou nadar um pouco pra ver se me inspiro. Há! Fala sério, mesmo travada eu adoro este "emprego". O chato é que ele acaba e eu preciso entregar uma dissertação no final. Que puxa!
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15h07
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17h56
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Hoje eu fui olhar meus e-mails e tinha uma chamada na página dizendo que "Preguiça de fim de semana engorda". Era só o que faltava. As pessoas já têm de ser disciplinadas a semana inteira pra ter direiro a dois dias de descanso, isso quando têm. Você vende cinco dias de sua semana pra poder aproveitar dois e agora querem adestrar o fim de semana também.
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12h47
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22h23
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22h12
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13h07
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22h33
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Chega de tristeza, vou adotar outro gatinho. O problema é achar um filhote que seja tão legal quanto o Caramelo. Ele era o gatinho perfeito.
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11h12
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Caramelo morreu hoje. O veterinário disse que provavelmente ele já veio pra cá com alguma doença encubada, por isso só notamos que ele estava doente quando já era tarde demais. Fiquei com ele no consultório por cinco horas. Ele lutou muito pra viver, mas estava muito fraquinho. Ele dormiu a maior parte do tempo em que ficamos lá, devia estar tentando se recuperar. Mas antes de adormecer ele ainda se levantou e veio pra junto de mim. Agora ele se foi e a minha casa está tão grande e vazia. Pra onde eu olho eu vejo meu gatinho. Sinto tanta falta dele que mal posso escrever essas palavras sem ser tomada por uma dor enorme. Ele era tão pequeno e frágil, tão cheio de amor.
Nós só convivemos durante uma semana, mas não precisou de mais que alguns dias para que eu o amasse. Eu o amei a cada minuto, a ponto de pensar como eu pude passar a vida toda sem um bichinho. Nós o enterramos no quintal da casa do nosso coletivo. Meu marido escreveu na plaquinha "GATINHO CARAMELO - Viveu 2 meses e alegrou a gente por 1 semana" e aí nós viemos pra casa. É horrível chegar em casa e não ouvir seu miado pedindo pra que abríssemos a porta. Ou deitar no sofá pra ver televisão e não ter ele sobre minha barriga. Abrir a porta da cozinha e não vê-lo entrar e pedir colo. Ele subia pela nossa perna e ficava lá, era tão lindo. Amanhã eu vou acordar e não vou vê-lo tomando seu solzinho que ele tanto gostava. Eu não vou mais acariciar o seu lindo pêlo laranjado e me sentir felicíssima só porque ele estar em casa. Ele era o melhor gato de todos. Ele era o meu gato. O nome dele era Caramelo e eu estou sentindo muita saudade.
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Fhoutz
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22h23
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22h25
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